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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Luiza Erundina preside homenagens ao Patrono da Educação Brasileira, Paulo Freire

A arte de ensinar o povo a ler e a ter consciência de sua realidade de opressão ganhou destaque na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (27). Em Ato Público de iniciativa da deputada Federal Luiza Erundina (PSB-SP), o educador e Patrono da Educação Brasileira, Paulo Freire, foi homenageado no auditório da TV Câmara, por suas grandes contribuições para o ensino no país. O título de patrono, conferido em 13 de abril deste ano, é uma iniciativa da deputada paulista e autora da Lei nº 12.612/2012.

A ideia de fazer esta homenagem surgiu em 2005 e tem como objetivo perpetuar a figura de Freire na educação do Brasil. “Com a dignidade que ele representa e por ele ter sido uma vítima da ditadura militar, é de extrema importância elevar o trabalho que ele fazia de ensinar pessoas a ler, escrever e criar opinião própria. Infelizmente esse foi o ‘crime’ que ele cometeu para o regime político daquela época”, disse Erundina. A socialista frizou que ele, até hoje, é lembrado mais fora do que dentro do Brasil.

Na época da repressão, Freire escreveu um dos seus mais famosos livros, a “Pedagogia do Oprimido”. Após 16 anos de exílio, retornou ao Brasil e continuou seu trabalho como professor e pesquisador na PUC de São Paulo. O evento contou com a presença da viúva de Paulo Freire, Ana Maria Freire, do senador Rodrigo Rollemberg, do reitor da UnB, José Geraldo, entre outras autoridades.

Histórico - Natural de Recife (PE), Paulo Freire formou-se em direito pela Universidade do Recife (atual Universidade Federal de Pernambuco) e tornou-se professor de português e pesquisador da área de educação. Uma de suas grandes contribuições para o ensino no país foi a criação do método de alfabetização de adultos, uma prática simples e revolucionária. Também, foi um dos fundadores do Movimento de Cultura Popular, que trabalha diferentes conceitos de cultura com vistas a oferecer à população carente a oportunidade de aprendizado, por meio de praças e núcleos de cultura.

Atuou como Secretário Municipal de Educação da cidade de São Paulo durante dois anos e meio na gestão da então prefeita Luiza Erundina, neste período, implantou o Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (MOVA), fundamentado nos princípios filosófico-político-pedagógicos, com o objetivo de instruir o educando a identificar a realidade na qual está inserido, dando-lhe ciência da importância de sua atuação no contexto.

Com informações do PSB Nacional

quinta-feira, 29 de março de 2012

Millôr Fernandes foi e continuará sendo um educador

*Por Marcos Prado - portal IG em 28/03/2012 

Cartunista deu aos brasileiros lições de autonomia, contestação, espírito democrático, senso crítico e amor à vida

Estava no Rio de Janeiro, com outra pauta na cabeça e procurando algum lugar em que eu pudesse escrever, quando ouvi as primeiras notícias sobre a morte de Millôr Fernandes. Tive duas reações imediatas: uma foi de ligar para o Ivan, filho do cartunista Henfil; a outra foi lembrar Paulo Freire.

Paulo Freire foi secretário de Educação da cidade de São Paulo no governo da mulher, nordestina, paraibana, assistente social, militante dos movimentos populares, Luiza Erundina. Nesta eleição nem a ‘iniciante’ cúpula de seu partido tinha apoiado Erundina de primeira hora, mas ela, contra todos os prognósticos, venceu as prévias e depois as eleições.

Paulo Freire falava, aos quatro cantos, que Erundina era, antes de tudo, até mesmo que política, uma educadora. Uma educadora política. E é nos termos de Paulo Freire que digo: Millôr Fernandes foi e continuará sendo, acima de tudo, um educador.

Com Millôr, e outros cartunistas, eu e milhões de outros brasileiros fomos educados para a autonomia, para a contestação, para o espírito democrático, para a participação política, para o senso crítico, para o amor ao Brasil, para a vida. Millôr, com seus traços e textos, fazia muito mais do que a gente rir. Millôr fazia as pessoas pensarem e gostarem do conhecimento e da análise crítica.

Sem medo de errar afirmo que Millôr, Henfil, Veríssimo, Fernando Sabino e tantos outros fizeram mais pela educação de várias gerações do que a maioria das escolas. Enquanto as escolas optaram pelo ensino, deixando a educação de lado, fomos sendo educados pela vida, pela sociedade, pelas nossas relações.

A Argentina foi um país que conseguiu entender isso e valoriza muito Quino, o ‘pai’ da Mafalda. Em toda a Argentina, Mafalda, personagem de Quino, pode ser encontrada em livros, roupas, objetos, cartazes, sites, jornais, etc. No Brasil parece que ainda não entendemos isso. Já perdemos Henfil, outro gênio do humor e da educação contestadora. E a cada nova geração se perde mais a sua lembrança. Não vemos a Graúna, ou o Fradim, personagens do Henfil, em todo canto do Brasil, como ocorre com a Mafalda na Argentina. Agora se vai outro gênio, Millôr. E nós, brasileiros, como deixaremos vivo seu pensamento, sua obra? Como possibilitaremos que as novas gerações tenham contato com o melhor que o humor brasileiro já produziu? Cometeremos o mesmo erro que cometemos com o Henfil?

Vai Millôr. Vai tranquilo. Nós, educadores, sentiremos muito a sua falta, mas sabemos o quanto você foi importante para a nossa formação e de boa parte de nossos educandos. Vai com a certeza de que “se isso tudo não foi um pesadelo, este país vai mal”. Vai sabendo que você deixou mais fácil a vida de muita gente, pois seus textos sempre ensinaram que “viver é desenhar sem borracha”, e teve quem quis fazer melhor. Vai encontrar o Henfil e dar ao Céu o ‘Pasquim’. Vai em paz. Aqui na Terra lamentamos a falta de herdeiros intelectuais para ocupar seu espaço na educação das novas gerações.

terça-feira, 6 de março de 2012

Paulo Freire é declarado patrono da educação brasileira


A Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) aprovou nesta terça-feira (6) em decisão terminativa, por unanimidade, o projeto de lei da Câmara (PLC 50/11), que declara o educador Paulo Freire patrono da educação brasileira. Caso não seja apresentado recurso para votação da matéria em plenário, o texto seguirá diretamente para sanção da presidente Dilma Rousseff.

O projeto, que teve como relator na comissão o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), é de autoria da deputada Luiza Erundina, que nomeou Freire como seu secretário de Educação, quando foi prefeita de São Paulo, a partir de 1989. Segundo a deputada, Freire, falecido há 15 anos, provocou então uma “verdadeira revolução educacional na cidade de São Paulo”.

Paulo Freire nasceu em Recife em 1921, ficou órfão aos 13 anos e enfrentou uma “infância difícil”, como observa a deputada na justificativa de seu projeto. Formou-se em Direito, mas nunca exerceu a advocacia. Em 1960 desenvolveu um método “simples e revolucionário” de alfabetização de adultos. Durante o governo do presidente João Goulart, coordenou o Programa Nacional de Alfabetização, que tinha o objetivo de alfabetizar cinco milhões de pessoas.

O criador da “pedagogia da libertação” foi preso em 1964, exilou-se depois no Chile e percorreu diversos países, sempre levando o seu modelo de alfabetização, antes de retornar ao Brasil em 1979, após a publicação da Lei da Anistia.

A partir da década de 60, observou o relator do projeto, a “pedagogia da libertação” passou a simbolizar a contribuição de Freire ao pensamento pedagógico mundial.

- Paulo Freire é um dos brasileiros mais conhecidos no exterior. Um brasileiro que tem bustos em praças e é nome de rua em países da África e América Latina. Seus livros foram traduzidos para diversos idiomas e se transformaram em clássicos do pensamento relacionado à educação em todo o mundo. Houvesse um Prêmio Nobel para a educação, Paulo Freire possivelmente teria sido agraciado – disse Cristovam.
 
Íntegra da proposta

Fonte: Agência Senado

terça-feira, 28 de junho de 2011

Ação educativa de Paulo Freire é homenageada em Sessão Solene

Anita Freire - Viúva de Paulo Freire  | Foto: Agência Câmara 
A Câmara homenageou ontem, em sessão solene, o educador e filósofo Paulo Freire, que completaria 90 anos no próximo dia 19 de setembro. Pernambucano de Recife, Freire é conhecido pelo método revolucionário de alfabetização que desenvolveu com o objetivo de combater a falta de oportunidades para os grupos sociais mais pobres.

Além dos mais de 43 títulos de doutor honoris causa, Freire recebeu inúmeros outros prêmios em razão de sua luta para ampliar o acesso às escolas e ao conhecimento. Entre eles estão o Prêmio Unesco da Educação para a Paz (1986) e o Prêmio Andres Bello, da Organização dos Estados Americanos, como Educador do Continente (1992).

Em maio deste ano, a Câmara aprovou o Projeto de Lei 5418/05, da deputada Luiza Erundina (PSB-SP), que concede o título de patrono da educação brasileira a Freire, que morreu em 1997. A proposta será analisada pelo Senado.

Transformação - Para o deputado Fernando Ferro (PT-PE), que propôs a solenidade, Freire acreditou na educação como um fator de transformação do mundo e de crescimento coletivo. “Ele retirou homens e mulheres que não tinham nenhuma esperança de participar ativamente da dinâmica cívica, por total falta de informação, e os levou a uma situação de protagonismo social”, afirmou.

O deputado lembrou ainda o livro “Pedagogia do Oprimido”, de 1968, no qual Freire aborda o método de alfabetização que o diferenciou dos intelectuais da época por voltar-se ao diálogo com pessoas simples não apenas como forma de instrução, mas sobretudo como um meio de levá-las a exercer a democracia em sua plenitude.

“Quando atualmente vemos os indígenas tendo acesso ao ensino superior, ou os negros ocupando vagas por cotas, ou ainda as populações do interior deste País tendo acesso às universidades federais, é importante olhar para trás e enxergar que a semente foi plantada por este ilustre pernambucano”, completou Fernando Ferro.

Segundo o deputado Mauro Benevides (PMDB-CE), Paulo Freire é um dos pensadores mais qualificados da cultura brasileira. “Ele chamou atenção, com a sua pedagogia do oprimido, para o papel do educador na constituição de uma sociedade democrática”, afirmou.

Para Benevides, o legado de Freire revela ao mundo uma capacidade da educação para além das salas de aula. Seu método de alfabetizar, disse, destaca-se dos outros porque surgiu de experiências com os próprios grupos sociais formados pelos educandos.

Ruptura de modelos - A viúva e sucessora legal da obra de Freire, Ana Maria Araújo Freire, destacou durante a homenagem o papel do marido como responsável por um movimento que permitiu a ruptura do modelo social predominante à época. “Paulo dedicou a maior parte de sua vida para que possamos ter hoje um País com menos participantes da sociedade e com mais sujeitos de todo o processo democrático”, afirmou.