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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sessão solene "Devolução Simbólica dos Mandatos dos Deputados Federais cassados pela Ditadura de 1964"

A Sessão solene "Devolução Simbólica dos Mandatos dos Deputados Federais cassados pela Ditadura de 1964" é uma iniciativa da Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça.



Veja a Programação de hoje:




·  Sessão solene - Devolução Simbólica dos Mandatos dos Deputados Federais cassados pela Ditadura de 1964
Data - 6 de dezembro
Horário - 16h
Local - Plenário Ulysses Guimarães

·  Lançamento do livro Parlamento Mutilado: Deputados Federais cassados pela Ditadura de 1964
Data - 6 de dezembro
Local - Café do Salão Verde

·  Exposição Parlamento Mutilado: Deputados Federais cassados pela Ditadura de 1964
Abertura oficial - 6 de dezembro
Visitação - 4 a 14 de dezembro
Local - Corredor de acesso ao Plenário Ulysses Guimarães


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Comissão propõe na Câmara Dia Internacional do Direito à Verdade

05/12/2012 - FOLHA DE SÃO PAULO

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados realiza hoje audiência pública para discutir a criação do Dia Internacional pelo Direito à Verdade, em memória às vítimas de violações dos direitos humanos. 

A proposta será apresentada pela Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça, que investiga na Casa violações dos direitos humanos durante a ditadura militar. 

O texto propõe que a data seja comemorada em 24 de março. Foi nesse dia, em 1980, que o então arcebispo de El Salvador, Oscar Arnulfo Romero, foi assassinado a tiros por esquadrões da extrema direita no país enquanto celebrava missa na capital salvadorenha. 

Naquele ano, o país vivia uma guerra civil, e Romero era crítico às violações dos direitos humanos praticadas pelo governo de extrema direita. 

A data em memória das vítimas de regimes autoritários foi aprovada pela primeira vez na Assembleia Geral das Nações Unidas, em dezembro de 2010. Na ocasião, o Secretário-Geral Ban Ki-moon defendeu o direito das vítimas e seus familiares de conhecerem as circunstâncias em que ocorreram os crimes e identificarem os autores. 

Se aprovado, o texto, de autoria da deputada Luiza Erundina (PSB-SP), segue para votação em outras três comissões da Casa, quando então poderá ser votado em plenário e, depois, seguir para o Senado.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Memória reempossada


Carta Capital / Willian Vieira - 16.11.2012 

“É dever da Casa, que a aprovou a Lei de Anistia, mudá-la. E lembrar dos que lutaram. É nossa responsabilidade” . Foto: Isadora Pamplona

Em 6 de dezembro, exatos seis dias após completar 78 anos, a deputada federal Luiza Erundina (PSB) pisará no plenário da Câmara dos Deputados para mais um capítulo da batalha de ordem política e pessoal que a move – mas, desta vez, com uma ponta de ironia nos argutos olhos verdes. Em cerimônia planejada nos mínimos detalhes, a casa devolverá simbolicamente, em uma sessão de posse embalada pelo Hino Nacional interpretado por um cantor lírico, o mandato aos deputados cassados durante a ditadura. Os parlamentares, ou suas famílias, receberão o diploma e o broche típicos. “É uma forma de a Câmara devolver ao povo o mandato que os torturadores usurparam de seus representantes”, diz Erundina, plácida, na manhã da segunda-feira 12, em seu gabinete político em São Paulo. “E é o mínimo que podemos fazer agora, enquanto não aprovam a mudança na lei da anistia.”

Erundina não desiste. Até a terça-feira 13, o presidente da casa, Marco Maia, não havia dado o aval à sessão solene pensada por ela e requerida pelo primeiro-secretário Eduardo Gomes (PSDB-TO). Segundo a assessoria do presidente, “o pedido chegou tarde” e, “por questão de calendário”, foi decidido “priorizar a votação de matérias”. Maia não confirmaria quando ou “se” o evento ocorreria. “Três horas de cerimônia iriam atrapalhar tanto? Justo quando o País faz um esforço para buscar a verdade?”, rebateu Erundina, um dia depois, já em Brasília e prestes a discursar no ato organizado pela OAB para homenagear os advogados de presos políticos – “para o qual a Câmara não liberou um centavo, nem para as passagens dos homenageados”, diz. Ela então subiu nos tamancos: na OAB, denunciou “a má vontade que a casa sempre demonstrou em investigar sua história”. Na quarta 14, a confirmação da data do evento chegou.

São poucos os políticos que conseguem incomodar tanto o Legislativo e Executivo ao mesmo tempo. Não apenas a deputada não coopera com o esforço do governo de agradar aos dois extremos do espectro ideológico com um consenso forjado por paliativos como desafia o silêncio do Congresso sobre o tema mais espinhoso da história brasileira. A sessão simbólica é só um exemplo. Inconformada com a decisão do Supremo Tribunal Federal de 2010, por exemplo, que rejeitou o pedido da OAB por uma revisão na Lei da Anistia que desconsiderasse como “crimes conexos” tanto a ação de agentes da repressão quanto a da luta armada, a parlamentar decidiu, no ano passado, redigir um projeto. Pretendia alterar o artigo 1º da lei de 1979. A mudança retiraria da anistia os agentes públicos, torturadores pagos pelo Estado para sequestrar, torturar e assassinar cidadãos, e permitiria sua punição, “o que aconteceu em qualquer país decente, menos aqui”. Mas o PL foi apreciado pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa, onde caiu nas mãos do conservador Hugo Napoleão (DEM-PI), que o rejeitou, e logo nas de Vitor Paulo (PRB-RJ): a decisão foi idêntica. O projeto estacou, ignorado, na Comissão de Constituição e Justiça.


Quando a Comissão Nacional da Verdade foi anunciada como a panaceia dos males históricos do País, Erundina saiu novamente ao ataque. No primeiro artigo do texto sancionado pela presidenta Dilma Rousseff em novembro de 2011, viu no dever de “promover a reconciliação nacional” um insulto às vítimas. “Que reconciliação é essa?” Vai reconciliar torturadores com perseguidos políticos, em vez de puni-los? A anistia foi uma farsa. O poder estava com os militares. Sem mudar a lei, a comissão vai ser a continuação da farsa.” Como a lei parece longe de ser mudada, a deputada trilha um caminho próprio. Para pressionar o Congresso e o governo a investigar os agentes da repressão, criou a Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça. Foi acusada de querer “competir” com a comissão do Executivo. Ignorou. De oitivas de depoimentos, como a do ex-agente de informação Marival Chaves, a audiências com testemunhas da Guerrilha do Araguaia, a subcomissão tem enchido pastas com documentos. “Mas não queremos ficar só no nível da memória. Queremos processos judiciais.”

Figura histórica na luta por desmascarar os partícipes da ditadura, a paraibana de Uiraúna esteve à frente da investigação que se seguiu à descoberta da vala clandestina de Perus, em São Paulo, em 1900. À época, criou uma Comissão de Acompanhamento da Investigações, para fiscalizar a ação da polícia e colaborar com a CPI da Câmara Municipal. Um paralelo com a atual situação das comissões da verdade é inevitável. Agora, ela quer apurar as violações de direitos humanos com motivação política contra parlamentares, caso do deputado do PTB Rubens Paiva. Expoente da investigação da Comissão da Parlamentar de Inquérito que apurou o recebimento ilícito de dólares por generais ligados ao golpe, Paiva não foi só cassado como, em 1971, foi levado por militares. O Exército divulgou uma nota fantasiosa, na qual atribuía o sumiço a um resgate dos companheiros “terroristas”. O que as testemunhas disseram depois é que ele morrera entre as torturas do DOI-Codi na “Casa da Morte” em Petrópolis. Seus restos mortais jamais apareceram.

Além dos desaparecidos, é justamente o papel institucional do Poder Legislativo durante a ditadura o que vem à tona com as investigações da subcomissão presidida por Erundina – e, provavelmente, só com elas. “O Poder Legislativo foi vítima e cúmplice da ditadura”, diz a deputada, peremptória. “Vítima porque foi fechado três vezes pelos ditadores. Cúmplice porque não reagiu, porque os que lá estavam não tinham compromisso com a democracia, e porque aprovou essa lei manca de anistia. A verdade é que nunca se fez nada.”

A história do Congresso durante a ditadura foi pouco feliz. Em 9 de abril de 1964, a junta militar que assumiu o poder no Brasil após o golpe decretou o que chamou de “Ato Institucional”. Além do anúncio de uma “revolução” que instaurasse o “poder constituinte” por meio das armas, o ato anunciava a cassação de 46 deputados federais: gente como Plínio de Arruda Sampaio, relator da Reforma Agrária, Leonel Brizola, articulador da Frente Ampla, e o próprio Rubens Paiva. O Congresso foi alijado de suas prerrogativas mais básicas, mas era só o começo. Em 1966, o general Castello Branco decretou o AI-2, que acabava com os partidos e agrupava o espectro o espectro político em duas legendas (Arena e MDB). Outros cinco deputados foram cassados e o Congresso, fechado por um mês. O AI-4 obrigaria os deputados a se reunir às pressas e encenar a aprovação de uma nova Constituição, que entraria em vigor em 1967 com a posse de Costa e Silva, “candidato eleito” de forma indireta por 294 votos pelo mesmo congresso arenista.

Não que todos os parlamentares sobreviventes à limpeza ideológica da ditadura se coadunassem com os desmandos militares. Num ato de ousadia incomum à cordata conduta que mantinha, a Câmara se negou, por exemplo, a conceder a licença pedida pela Presidência para que o deputado Márcio Moreira Alves fosse processado pelo discurso no qual questionara até quando o Exército seria “valhacouto de torturadores”. Foi um momento de orgulho, logo abafado quando o AI-5 entrou em vigor: a Constituição foi revogada e o Congresso, fechado por mais de nove meses. Uma terceira suspensão dos trabalhos parlamentares ainda se daria entre 1° e 14 de abril de 1977, espécie de pá de cal na imagem da instituição. E em 1979, a controversa lei da anistia de “mão dupla” foi aprovada. Um estrago que acabou soterrando com um silêncio, para muitos, incômodo.

“Quando o STF negou a revisão da lei da anistia, usou argumento principal o fato de o Congresso ter aprovado a lei”, afirma Erundina. “Pois, se a Câmara aprovou essa lei, é prerrogativa da própria Câmara aprovar a revisão da lei. E, enquanto não aprovam, precisamos lembrar a memória dos poucos que se posicionaram contra a ditadura. É nossa responsabilidade. Não podemos fugir dela.” Uma história que deve ser contada também por uma exposição de fotos sobre o período e um painel do artista Elifas Andreato nos moldes de uma “Guernica brasileira”. Um livro com biografias dos cassados será lançado.

Críticas da Comissão da Verdade pelo seu prazo curto (dois anos) e raio de ação reduzido, Erundina insiste nas comissões paralelas que pipocam nos estados e municípios e na que ela mesma preside. Longe das pressões existentes no Executivo, a deputada se guarda o direito (e o dever) de lutar com Congresso para expor as entranhas da ditadura. “Não queremos produzir mais um relatório encadernado para guardar no Arquivo Nacional, que é o que vai acontecer com a Comissão da Verdade. Queremos  processos judiciais, queremos punir os torturadores. “Só isso pode evitar  que essa “página infeliz da nossa história” se transforme em uma “passagem desbotada na memória  das nossas novas gerações”, em uma paráfrase de Chico Buarque. “Ou se faz isso agora ou não se fará nunca mais. No congresso, há forças que não tem interesse em resgatar a história. E no governo... eu sinceramente esperava outra postura da presidente Dilma. É uma pena.”

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Homenagem aos advogados de presos políticos 13/11/2012


"A Redemocratização do País permanecerá inacabada, enquanto não se apurar toda a verdade sobre os crimes da ditadura" (Luiza Erundina)  




Ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário Nunes, Presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, Dep. Federal Luiza Erundina, Dep. Federal Domingos Dutra e demais membros.



Dep. Federal Luiza Erundina


 
Wagner Gonçalves (assessor da CNV) recebendo homenagem em nome do José Carlos Dias. Dep. Federal  Luiza Erundina e o Presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante. 
 
Fotos: Lívia Mota - ASCOM/CNV

terça-feira, 13 de novembro de 2012

OAB homenageia advogados de presos políticos


Brasília – O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil prestará nesta terça-feira (13) homenagem aos advogados de presos e perseguidos políticos na ditadura militar (1964-1985), em cerimônia a partir das 18h no auditório da sede da entidade em Brasília. O ato, que será conduzido pelo presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, é intitulado “Memória à advocacia da resistência política” e representa uma contribuição da entidade ao resgate da história brasileira desse período. Ele está sendo organizado em parceria com a Comissão Parlamentar Memória,Verdade e Justiça da Câmara, presidida pela deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), e abrange advogados que atuaram contra a ditaura em várias partes do País.  

O evento marcará também o lançamento da Comissão Especial da Verdade do Conselho Federal da OAB, recém-criada por Ophir Cavalcante, com objetivo de subsidiar a Comissão da Verdade instituída pelo governo federal para trabalhar na busca da verdade histórica sobre mortes e desaparecimentos no período da ditadura militar. Na casião, inclusive,  haverá assinatura de um protocolo de cooperação entre a Comissão Especial da Verdade, presidida pelo membro honorário vitalício da OAB, Cezar Britto, e a Comissão Nacional da Verdade, que é coordenada pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Gilson Dipp.

Além de diversos advogados que serão homenageados por sua luta em defesa de presos e perseguidos políticos, a cerimônia contará com a participação da ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário Nunes; de representantes da Comissão Nacional da Verdade; Comissão de Constituição e Justiça e Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados; Comissão da Anistia do Ministério da Justiça; presidentes de Seccionais da OAB e conselheiros federais da entidade.

*Fonte: OAB

sexta-feira, 6 de julho de 2012

CARTA DE BRASÍLIA - Seminário Internacional sobre a Operação Condor

Egmar José de Oliveira (Comissão de Anistia do Ministério da Justiça), dep. Luiza Erundina (PSB-SP) e Jair Krischke (presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos) Foto: Antonio Augusto

Os participantes do Seminário Internacional Operação Condor que, na Câmara dos Deputados, em Brasília, capital do Brasil, nos dias 4 e 5 de julho de 2012, avaliou os avanços democráticos na busca da Verdade sobre o conluio transnacional de ditaduras cívico militares que, fundados na Doutrina de Segurança Nacional, ministrada pela Escola das Américas, praticaram terrorismo de Estado, impondo, na segunda metade do século XX, o horror e o sofrimento a milhões de pessoas em centros clandestinos de tortura e de desaparição, em campos de concentração, nas cadeias e quartéis da América do Sul, concordam em declarar que:

- a consciência da impunidade destes crimes é geradora de criminalidade e de corrupção sistêmica, infligindo dor aguda e permanente aos sobreviventes e aos familiares das vítimas;

- que é exigida uma nova interpretação dos instrumentos legais que cada ditadura impôs nos ordenamentos jurídicos nacionais, como autoanistia e prescrição, a garantir a impunidade aos crimes por elas praticados contra os povos da região, cabendo-nos confrontar toda lei, decreto ou norma que possa reduzir, anular ou restringir a proteção aos direitos humanos, e propugnar que os Estados, em nossas constituições, permitam a investigação e a punição dos crimes contra a humanidade, conforme já estabelece a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos, para que os agentes de Estado, assim como os seus cúmplices civis que violaram os direitos humanos, sejam processados e punidos com penas proporcionais aos seus crimes;

- que, na convicção de que a conciliação desejada necessita cumprir o caminho da Memória, Verdade e Justiça em relação aos crimes do terrorismo de Estado, para que nunca mais aconteçam, buscaremos a integração dos nossos parlamentos, com a essencial participação da sociedade civil, através da constituição de um Fórum Permanente de Justiça e Direitos Humanos, que objetiva por compartilhar e levar, pelo entendimento fraterno, para as legislações nacionais mais atrasadas, os avanços institucionais já conquistados no caráter supranacional das convenções e dos tratados internacionais a que nossos Estados tenham aderido, admitindo uma hierarquia equivalente, na medida em que essas normas acolhem o direito das pessoas, povos e permitem a convivência entre as nossas nações;

- que nos comprometemos com a constituição do Tribunal Russel da América do Sul, como corte civil de investigação e julgamento de atos graves de violação dos Direitos Humanos já praticados e que se mantêm atualmente na ação ou omissão dos Estados nacionais da região, que devem respeitar e aplicar o direito internacional e as resoluções dos organismos responsáveis pela sua aplicação e também deve cumprir com a Verdade.

Nós, participantes do Seminário Internacional Operação Condor, também aprovamos moção de repúdio ao golpe branco que, como lampejo de um nefasto espírito civil da    Operação Condor, retirou em processo sumário e sem direito de ampla defesa, Fernando Lugo do cargo de Presidente do Paraguai que ocupava pelo voto direto e democrático do seu povo, agora traído pelos que se dizem seus representantes no parlamento.


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Comissão quer apurar denúncia de massacre de índios no regime militar

 
Reportagem e foto: Agência Câmara de Notícias

Comissão quer apurar denúncia de massacre de índios no regime militar

Stephen Baines (professor do Departamento de Antropologia da UNB), Egídio Schwade (indigenista missionário), dep. Luiza Erundina (coordenadora da Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça), Gilney Viana (representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República), Elaize Farias (repórter do Jornal a Crítica), Cleber Buzatto (secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário
Comissão discutiu, em audiência pública nesta quarta-feira, caso denunciado pela imprensa.

A Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça da Câmara quer obter esclarecimentos sobre a denúncia do assassinato de 2 mil índios, entre os anos de 1972 e 1975, durante o regime militar.

Segundo reportagem do jornal A Crítica, de Manaus, os índios da etnia Waimiri-atroari teriam sido mortos porque eram contrários à construção da BR-174, que liga Manaus (AM) a Boa Vista (RR) e corta a área original da reserva indígena no Amazonas.

A presidente da comissão, deputada Luiza Erundina (PSB-SP), disse que vai enviar requerimentos de informação para que a Eletronorte e a Fundação Nacional do Índio (Funai) enviem dados sobre os índios Waimiri-atroari. A deputada criticou a ausência de representantes das duas entidades na audiência que discutiu o assunto nesta quarta-feira (9).

Erundina afirmou que não se pode esquecer a história desses índios. Para ela, é necessário localizar e punir os culpados.

Durante a audiência, o indigenista missionário Egídio Schwade informou que existem documentos do Exército que se referem a ações para “assustar” os indígenas, com o objetivo de concluir as obras da rodovia na época. Schwade disse que o regime militar ainda é um período “muito nebuloso” da história brasileira e que há fatos que precisam ser esclarecidos. "Não se pode deixar adormecer um massacre desses, tão perto.”

Na próxima quarta-feira (16), a comissão vai realizar audiência com representantes de camponeses que também sofreram com o regime militar.