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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Ato em defesa dos indíos Xavantes e de D. Pedro Casaldáliga



A Câmara Municipal de São Paulo, em uma iniciativa do vereador Toninho Vespoli (PSOL) e do Comitê de Solidariedade ao bispo Dom Pedro Casaldáliga, recebeu nesta quinta-feira mais de 300 pessoas para um ato em defesa da comunidade indígena Xavante, localizada no Mato Grosso, e do bispo Casaldáliga.

No ano passado, a Justiça determinou que fazendeiros que ocupavam o território Marãiwatsédé — que tem mais de 165 mil hectares e fica entre os municípios de São Félix do Araguaia, Alto Boa Vista e Bom Jesus do Araguaia — deixassem essas áreas para uso do povo xavante.

Após a retomada da região pela comunidade indígena, Dom Pedro Casaldáglia, um dos principais apoiadores da causa, começou a receber ameaças de morte e precisou sair do Estado do Mato Grosso. Atualmente, ele vive sob proteção policial.

Para o vereador Vespoli,  essa situação não pode continuar e os debates são fundamentais para que a população saiba o que está acontecendo.  “O nosso objetivo é chamar a atenção da sociedade para o que está acontecendo com Dom Pedro, e a Câmara Municipal é um espaço para o povo se manifestar e colocar suas demandas”, afirmou.

O coordenador do Comitê de Solidariedade, Paulo César Pedrini, disse que é importante a participação da sociedade para combater esse "absurdo". "Resolvemos criar esse colegiado porque ficamos incomodados em saber que Dom Pedro e a comunidade xavante estava sendo ameaçada, sendo que a terra havia sido tomada dos índios. Precisamos ficar atentos ao que está acontecendo e apoiarmos os índios e o bispo Dom Pedro."
Durante o evento, Paulo Maldos, secretário nacional de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República, explicou que os índios da comunidade xavante foram retirados à força em 1966 do território. 

“Estimamos que mais de duas mil pessoas ocupavam essa área pertencente aos índios. A Justiça determinou que a comunidade indígena retomasse essa localidade, e hoje todos os não-índios foram retirados do local”, afirmou. Maldos ainda revelou que os fazendeiros que ocuparam o território xavante devem mais de R$ 150 milhões em multas ambientais. “Eles nunca pagaram nada e devastaram toda aquela área”, disse.

O evento contou com a participação de representantes de várias entidades da Capital. “Precisamos participar ativamente, ir para as ruas e mostrar que estamos apoiando Dom Pedro”, disse Marcel Vitorino, coordenador da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de São Paulo.

O ex-vereador Jamil Murad (PCdoB) e a ex-prefeita e deputada federal Luiza Erundina (PSB) também participaram do evento.

Fonte: Site da Câmara Municipal 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Comissão quer apurar denúncia de massacre de índios no regime militar

 
Reportagem e foto: Agência Câmara de Notícias

Comissão quer apurar denúncia de massacre de índios no regime militar

Stephen Baines (professor do Departamento de Antropologia da UNB), Egídio Schwade (indigenista missionário), dep. Luiza Erundina (coordenadora da Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça), Gilney Viana (representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República), Elaize Farias (repórter do Jornal a Crítica), Cleber Buzatto (secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário
Comissão discutiu, em audiência pública nesta quarta-feira, caso denunciado pela imprensa.

A Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça da Câmara quer obter esclarecimentos sobre a denúncia do assassinato de 2 mil índios, entre os anos de 1972 e 1975, durante o regime militar.

Segundo reportagem do jornal A Crítica, de Manaus, os índios da etnia Waimiri-atroari teriam sido mortos porque eram contrários à construção da BR-174, que liga Manaus (AM) a Boa Vista (RR) e corta a área original da reserva indígena no Amazonas.

A presidente da comissão, deputada Luiza Erundina (PSB-SP), disse que vai enviar requerimentos de informação para que a Eletronorte e a Fundação Nacional do Índio (Funai) enviem dados sobre os índios Waimiri-atroari. A deputada criticou a ausência de representantes das duas entidades na audiência que discutiu o assunto nesta quarta-feira (9).

Erundina afirmou que não se pode esquecer a história desses índios. Para ela, é necessário localizar e punir os culpados.

Durante a audiência, o indigenista missionário Egídio Schwade informou que existem documentos do Exército que se referem a ações para “assustar” os indígenas, com o objetivo de concluir as obras da rodovia na época. Schwade disse que o regime militar ainda é um período “muito nebuloso” da história brasileira e que há fatos que precisam ser esclarecidos. "Não se pode deixar adormecer um massacre desses, tão perto.”

Na próxima quarta-feira (16), a comissão vai realizar audiência com representantes de camponeses que também sofreram com o regime militar.