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terça-feira, 17 de junho de 2014

Violência Contra a Mulher - Relatório Socioeconômico da Mulher (RASEAM)



Texto: Assessoria
O Projeto de Lei 2.155/1999, de autoria da deputada Luiza Erundina (PSB/SP), foi aprovado após onze anos de tramitação, sob o nº 12.177/2010. Sua regulamentação se deu pelo Decreto 8.131/2013 que determina a divulgação anual do “RELATÓRIO ANUAL SOCIOECONÔMICO DA MULHER – RASEAM”, com o objetivo de oferecer informações diversificadas sobre a situação da mulher, a partir dos resultados produzidos pelos diferentes órgãos da administração pública.

 

Em recente entrevista a Ministra da Secretária de Política para Mulheres da Presidência da República, Leonora Menicucci, atribui a persistência do problema da 'violência contra a mulher ainda (é) uma questão cultural e patriarcal' o que é verdadeiro, mas nem de longe esgota as razões deste típico particular de violência.

Há uma conjunção de fatores que poderiam explicar as causas da violência cometida cotidianamente contra as mulheres.

O crescimento econômico, com uma maior oferta de postos de trabalho, teria o condão de descravizar a mulher do trabalho doméstico e possibilitar sua independência em relação ao parceiro, já que seria possível ganhar seu próprio dinheiro. Tal se verificou, ao menos parcialmente, mas não foi alcançado o resultado esperado. Criou-se, ao contrário, uma dupla jornada de trabalho com a baixa participação do homem nas atividades domésticas.

A violência não se resume a um ato de submissão ou de entrevero que ocorre exclusivamente com um homem, indo além, quando o oponente, que exerce a coerção moral, a prática do medo – físico ou psicológico –, as ameaças etc., é outra mulher. O problema, então, não é a violência contra a mulher, mas a violência do mundo atual na qual esta específica violência se inclui.

EDUCAÇÃO PARA IGUALDADE E CIDADANIA

A mulher, apesar de ter maior escolaridade, continua a perceber um salário menor que aquele pago ao homem para o exercício das mesmas atividades.


Tanto compromissos internacionais assumidos, como o próprio processo de desenvolvimento socioeconômico impôs ao país uma agenda de maior atenção à educação, notadamente a educação básica. Dessa forma, as políticas de acesso à escolarização universalizaram-se e vislumbramos dois desafios para os próximos anos: a melhoria substancial da qualidade na educação que, aliada a igualdade de gênero, serão a base para a inserção de mulheres e homens no processo de desenvolvimento humano e econômico.

Todavia, não basta ampliar o acesso ao sistema educacional, mas repensá-lo em função do desenvolvimento que se deseja para o país. Trata-se, portanto, de educar para a igualdade e cidadania.

A realidade de nossos dias mostra com clareza a ascendência da tecnologia nos processos de produção do dia-a-dia da sociedade. Apenas o conhecimento formal que, como disse o educador Paulo Freire, faz do educando um receptáculo de “informações e conhecimentos repetitivos” sem contextualização histórica e territorial, muitas vezes pouco se presta à construção de uma cidadania.

O processo de aprendizado deve trazer em seu conteúdo, o gérmen da transformação. Nesta ótica, pode-se entender que a empregabilidade não se garante pela maior escolaridade, mas pela compreensão dos processos sociais que impulsionam e constroem uma realidade distinta de forma ininterrupta.

Assim, qualquer política pública voltada a estes objetivos deve ser democrática, fomentando a participação dos cidadãos no processo educacional. Educar de forma participativa e cidadã é conceber a política educacional como o exercício de um dever do ESTADO e um DIREITO dos cidadãos.

Por fim, o vetor cultural que acompanha a rigidez do preconceito e da cultura patriarcal a que se refere a Ministra Menicucci, somente será alterado, somente sofrerá inflexão no modo como se calca na tradição se a educação, da forma aqui proposta, for capaz de – pela participação da sociedade – começar a alterar a cultura em sua forma mais ampla e plural.

Portanto, mudanças culturais são, fundamentalmente, alcançadas por ações pedagógicas participativas. A cultura molda a existência humana, mas o homem constrói sua cultura a partir de suas ações. Conhecer a existência de outras formas de organização sociocultural é um instrumento decisivo para tanto.

OLHAR O MUNDO SOB OUTRO PRISMA É O DESAFIO DA EDUCAÇÃO LIBERTADORA QUE SE PROPÕE.

 

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Mortalidade Materna – Descaso Institucional


Hoje é o dia de Combate à Mortalidade Materna, portanto, um dia de LUTA!

                                                   Imagem: Grupo Imagem Diagnóstico

Embora o Brasil tenha melhorado muito o índice de óbitos maternos – de 141 para 68 óbitos por 100 mil crianças nascidas vivas – no período de 20 anos (1990 a 2010), ainda se encontra ABAIXO do valor estabelecido pelos objetivos do milênio (ODM) de 35 óbitos por 100 mil nascidos vivos.
Há especificidades na condição feminina que implicam a atenção preventiva por parte das políticas públicas: reprodução e doenças inerentes a esta condição, como o câncer de colo de útero e o de mama, além da vulnerabilidade das mulheres à toda sorte de violência, tanto doméstica como sexual.
Como consequência, temos necessidade de maiores investimentos por parte do Estado o que não se restringe à ampliação do atendimento, mas à melhoria significativa da infraestrutura tecnológica voltada aos mesmos.
O exercício da sexualidade plena pela mulher está longe de ser exclusivamente de âmbito privado, mas é uma questão de saúde pública e de garantia de direitos. A reprodução é inerente à mulher e, assim, o acesso a métodos contraconceptivos, particularmente os anticoncepcionais, é um indicador importante da garantia do Estado aos direitos femininos.
Com base nos dados recentemente divulgados pela Secretaria das Mulheres da Presidência da República, no relatório RASEAM *, aponta para fatores como cor/raça, além de grau de escolaridade e maior renda, influenciam a frequência às consultas médicas periódicas e são as mulheres brancas aquelas têm maior assiduidade aos exames periódicos.
Para as mulheres negras, pioraram alguns indicadores de mortalidade ao longo dos últimos 20 anos, em decorrência de um acesso desigual aos serviços de saúde. As mortes por abortos mal realizados (4% dos óbitos) poderiam ter sido evitadas se, por suas proporções e pelo DIREITO inerente à mulher em dispor de seu próprio corpo e administrar sua saúde, tivéssemos casos de abortos tratados como um problema de saúde pública: em mais de 66% dos óbitos maternos decorreu de causas relacionadas à gravidez, em grande medida evitáveis.
Por tudo que dissemos o DIA DE COMBATE À MORTALIDADE MATERNA ganha a conotação de mais um desafio para que a história da mulher no processo civilizatório, seja escrita por ela mesma!
Texto: Assessoria